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13 junho 2009

feminino

image by ahituna

desenha árvores na areia para que as recordem.

depois daquele dia. o dia do incêndio global. calor extermínio onde o verde não cabe. onde o verde se apaga. onde o azul é cinza ou nevoeiro de onde não surge nada nem ninguém. sobretudo não esperança.

só o vento manterá a sua dança feito ar ardente. sobre rochas eternas. mais escavadas mas lá. perfuradas, alisadas mas ainda lá. porque não ardem. só porque não ardem.


image by photoscot

mas há uma mulher. escondendo o corpo. em meio à rocha. defendendo no ventre um ovo. fecundado.

lá em baixo o rio na areia deixa que o vento apague os traços inúteis de árvores mortas e volta a sussurrar.

há recomeço onde a fúria do feminino dê em lutar. se a Vida é causa.

11 junho 2009

arte de viajar


image by fwscharpf


uma aranha. uma aranha tem quatro pares de patas úteis e uma carapaça. desloca-se devagar sobre todos os caminhos. tece. tece e às vezes usa a seda to seu tecer para dormir. não precisa complicar a vida para obter descanso.

assim se quereria hoje. semelhante a uma mansa aranha sem veneno.

caminhar beira rios, em rochas, campos. conhecer todos os recantos da terra. devagar. devagar. tocar o chão sem se deixar prender a ele. usar duas árvores o vento e a sorte para tecer arte. descansar num casulo protegendo os ovos.

ter por destino controlar as pragas.

deveria haver aranhas para impedir pragas de gente. não há.

deita-se na areia que de noite é fresca e adormece.