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11 junho 2009

arte de viajar


image by fwscharpf


uma aranha. uma aranha tem quatro pares de patas úteis e uma carapaça. desloca-se devagar sobre todos os caminhos. tece. tece e às vezes usa a seda to seu tecer para dormir. não precisa complicar a vida para obter descanso.

assim se quereria hoje. semelhante a uma mansa aranha sem veneno.

caminhar beira rios, em rochas, campos. conhecer todos os recantos da terra. devagar. devagar. tocar o chão sem se deixar prender a ele. usar duas árvores o vento e a sorte para tecer arte. descansar num casulo protegendo os ovos.

ter por destino controlar as pragas.

deveria haver aranhas para impedir pragas de gente. não há.

deita-se na areia que de noite é fresca e adormece.

09 junho 2009

paraíso e inferno

The Gate by `aquapell

não há secura ou espaço silêncio ou solidão que nos livre da graça de sonhar. se a verdade não está no ascestismo nem na paz ou na água, quem sabe o sonho lha venha entregar?

não pensa nisso. apenas adormece.
há um portão de ferro que separa o paraíso do inferno. e ela usa toda a força para o quase abrir. quase fechar. criança em baloiço de adultos.

de nenhum dos lados sabe o que a espera. por isso não o fecha nem se atreve a escolher. não tem palavras escritas o portão, que lhe digam - vem por aqui. nós temos a verdade. e ainda que as houvesse podia ser engano.
diziam-lhe na infância ser o diabo um anjo transviado. bem capaz de enganar.

ao depertar recorda e não sorri. esteve tão perto. sentiu a intensidade da luta entre dois anjos de poder. apenas não sabia a linguagem.
do que por lá escutou não tem nada a contar.

seguirá o caminho. mente em frente. nada a levará a desistir.

08 junho 2009

sobre a pele de um rio


image by Torqual


o vento deformou o traçado da areia. é mais difícil ver o curso de água. lá de cima. manhã solta já.

apura o olhar no enfrentar da luz. cansam-se os olhos. o ar assobia ritmos estranhos nos canais das dunas.

- hoje é o dia dele. do elemento ar.

e neste constatar quase sufoca. o pó avermelhado invadiu-lhe a garganta. as narinas. deitou-se então ao chão e rolou duna abaixo. criança a embalar-se e a escorregar.

quando sentiu a dureza da pele do rio seco é que se ergueu. teria ainda muito por andar.

uma nesga de verde no horizonte garantia-lhe o caminho certo.



image by videopixels

- o tempo é meu. caminho passo a passo pelo meu rio na areia.

não pensou em cansaço. só na água. a que seguraria nas mãos. como quem reza.

a magnífica água de purificar e de beber.


image by jameshervey


04 junho 2009

sarasvati - o rio


image by MustafaDedeogLu


o longe que puder. mais longe ainda que os fins já conhecidos. é para lá que vai.
leva no dorso a saudade do trigo. pouco mais. é peso leve mas ainda muito. de caminho o aliviará. tem como certo.
na noite sabe do sabor da luz. de dia dorme as estrelas haja nuvens ou não.

ainda não sente dor. anestesia da liberdade conseguida. dentro.

e cavalga o destino na direcção do rio que acaba no deserto.

image by MustafaDedeogLu