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16 junho 2009

o sorriso. de Deus.



shadow_riders_by_mmhhrr

terra onde a morte vive. assim é nos desenhos sinistros do solo. assim é nos silêncios. nos rostos vazios de sorrir. assim é.

no mundo. hoje. de hoje.

de escutaram o nome. desde a infância. mas era outro o Deus. outra a face que lhe emprestavam.

o deus de hoje. hoje não sorri. nem ele.

a vida marca passo ao compasso de relógios histéricos.

correria.

perda de tempo em cada salto dado. a correr.

não se entendem as gentes num voltear de moscas zombideiras.

fazem tremer os outros com um rosnar de boneco de corda a imitar ferozes predadores.
olham qualquer espelho em torno. auto aplauso. e correm. correm. correm.

ninguém sabe para onde.

ou porquê.


depois a chuva chega. por minutos.

tudo para. até os automóveis. esses uns contra outros. morre-se porque chove.

poucos mas alguns estacam. a escutar. a água. essa que cai. sem hora certa. cada vez menos vezes.

desce o olhar ao chão quem não tem medo disso.

azulou. o espírito da água anulou os zombies. transparece a calçada. o ar é leve.

dos relógios afugou-se a histeria.

art by external linq

- não se inquietem essas sobras de gente. o calor vai voltar. e secar. tudo.

e Deus continuará a não sorrir.

11 junho 2009

arte de viajar


image by fwscharpf


uma aranha. uma aranha tem quatro pares de patas úteis e uma carapaça. desloca-se devagar sobre todos os caminhos. tece. tece e às vezes usa a seda to seu tecer para dormir. não precisa complicar a vida para obter descanso.

assim se quereria hoje. semelhante a uma mansa aranha sem veneno.

caminhar beira rios, em rochas, campos. conhecer todos os recantos da terra. devagar. devagar. tocar o chão sem se deixar prender a ele. usar duas árvores o vento e a sorte para tecer arte. descansar num casulo protegendo os ovos.

ter por destino controlar as pragas.

deveria haver aranhas para impedir pragas de gente. não há.

deita-se na areia que de noite é fresca e adormece.

08 junho 2009

sobre a pele de um rio


image by Torqual


o vento deformou o traçado da areia. é mais difícil ver o curso de água. lá de cima. manhã solta já.

apura o olhar no enfrentar da luz. cansam-se os olhos. o ar assobia ritmos estranhos nos canais das dunas.

- hoje é o dia dele. do elemento ar.

e neste constatar quase sufoca. o pó avermelhado invadiu-lhe a garganta. as narinas. deitou-se então ao chão e rolou duna abaixo. criança a embalar-se e a escorregar.

quando sentiu a dureza da pele do rio seco é que se ergueu. teria ainda muito por andar.

uma nesga de verde no horizonte garantia-lhe o caminho certo.



image by videopixels

- o tempo é meu. caminho passo a passo pelo meu rio na areia.

não pensou em cansaço. só na água. a que seguraria nas mãos. como quem reza.

a magnífica água de purificar e de beber.


image by jameshervey


07 junho 2009

meditei. acreditem. não me ocorreu mais nada...




Obrigada Zeca, pela presença, na Hora!

peso

não fosse a gravidade e seria ave livre. ar vibrante a sol. na protecção de todos os que amasse.

image by ~fall0n

não é.

à custa dessa lei não passará de mais um mistério. só pedra. enterrado no chão.


picture at kanishksharma.wordpress

01 junho 2009

o caminho

image by_StigmaChina


nas estradas comuns tudo parecia errado. tudo era errado. levou tempo a entender porquê. talvez demais. do pouco tempo que ainda era seu já pouco lhe sobrava. sensações.

saiu do asfalto. sentou-se num montículo de terra. a decidir. decidir é coisa diferente quando se parte como ela. sem bagagem nem rumo.

assim fez um traço no chão. o mais nítido que conseguiu. com as garras dos dedos. saltou por cima dele. era a sua fronteira.

- nunca. nunca mais volto para trás.